Reforma tributária e empresas: por que 2026 exige preparação contábil desde agora
- CEO de GECON
- 21 de jun.
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A reforma tributária sobre o consumo já está em fase de implementação normativa. A Lei Complementar nº 214/2025 instituiu o IBS, a CBS e o Imposto Seletivo, criando uma nova lógica de tributação sobre bens e serviços.
Para o empresário, isso significa que a contabilidade precisará acompanhar não apenas o regime atual, mas também a transição. A Receita Federal divulgou orientações para 2026 prevendo, a partir de 1º de janeiro de 2026, emissão de documentos fiscais eletrônicos com destaque da CBS e do IBS, individualizados por operação, conforme regras e leiautes específicos.
No caso das empresas do Simples Nacional, há ponto sensível: o Comitê Gestor do Simples Nacional divulgou orientação sobre prazos de opção pelo Simples Nacional e sobre a escolha de pagamento do IBS e da CBS dentro do boleto único do Simples ou pelo regime regular, com opção antecipada em setembro de 2026 para efeitos em 2027.
Isso exige planejamento. A decisão tributária deixará de ser apenas “qual regime paga menos hoje” e passará a envolver análise de cadeia, créditos, clientes, fornecedores, preço, margem e competitividade. Empresas que vendem para outras pessoas jurídicas, por exemplo, precisarão avaliar como o regime escolhido impacta seus compradores e sua posição comercial.
A preparação contábil adequada reduz improviso, evita decisões precipitadas e permite ao empresário atravessar a transição com segurança. Em matéria tributária, quem se antecipa decide melhor; quem espera o problema chegar normalmente paga mais caro para corrigir.
A reforma também exigirá atenção aos sistemas de emissão fiscal, cadastros de produtos, classificação de operações, parametrizações e integração entre empresa e contabilidade. Um erro de sistema pode gerar emissão incorreta de documentos, inconsistências fiscais e retrabalho operacional.
Além disso, a reforma tende a alterar a forma como as empresas analisam crédito tributário, cadeia de fornecimento e composição de preço. O empresário precisará entender não apenas quanto paga, mas como sua tributação afeta o cliente, o fornecedor e a competitividade do negócio.
Empresas do Simples Nacional deverão acompanhar com especial cuidado os efeitos práticos da transição. Em alguns casos, permanecer no modelo tradicional poderá ser adequado. Em outros, a depender do perfil dos clientes e da cadeia comercial, será necessário avaliar alternativas com maior profundidade.
O ponto decisivo é que 2026 não deve ser tratado como ano de espera, mas como ano de preparação. Empresas que revisarem processos, cadastros, contratos, sistemas e planejamento tributário sairão na frente. A nova tributação exigirá organização, e a contabilidade será peça central dessa adaptação.


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